quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

o silêncio e os ritmos

Minha amiga Isa diz que eu sou do povo da floresta e que o teatro que fazemos é feito com as máscaras mais lindas, o silêncio e os ritmos. Eu respondo ah... quem me dera... se eu dançasse assim é que era bom... Se eu dançasse o silêncio que espreita em minha alma sei que dançaria lindamente e não precisaria talvez pensar tanto. Não tenho nada contra o pensar nem contra os poemas feitos de palavras. Não. Mas dançar o silêncio é que leva a gente pela água, rio acima, mar adentro, as folhas nos ouvidos, o vento, a pele líquida. É onde estão os segredos profundos. Os segredos que não foram feitos para serem sabidos, mas para serem dançados com as máscaras mais lindas e a alegria furiosa da vida toda levantada em nós. Quem me dera, menina Isa, quem me dera...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Janela

Sono, algum, mas é tarde demais pra ir dormir. Então venho cá falar ao vento. Mais tarde o sol vai se por de novo na minha janela e outra noite vai chegar. Oito meses depois, é como se fossem anos, é como se fosse ontem. Em março, mais um, outro em abril. Meus mortos. Eu os contei até hoje. Não vou mais contá-los. Não vou mais pensar neles como perdas. Quando lembrar deles, que seja como memória, um pedaço do que um dia eu mesma terei sido nesta vida. Porque é assim mesmo. Por um tempo somos memória e depois poeira de estrelas. Passamos todos. E o tempo é muito maior que nós. O amor talvez seja mais forte que o tempo, maior, não.